27 de julho de 2015

Minha agenda na Bienal do RJ 2015

Amigas e amigos leitores do Rio de Janeiro (ou de outras regiões que lá estiverem no começo de setembro), acaba de sair minha agenda na XVII Bienal Internacional do Livro 2015. Bem intensa, como poderão ver, mas será uma alegria para mim se puderem comparecer. Nesta Bienal lançarei algumas novidades que serão em breve anunciadas aqui. Segundo o colunista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, esta edição da Bienal já bateu um recorde antes ainda de começar: em apenas uma hora, 140 mil alunos de escolas públicas e particulares se inscreveram para o evento. Como todos nós sabemos que leitura e cidadania andam de mãos dadas, acho que não poderia haver melhor resposta à crise que o país vive!

05/set – sábado – 15h – Sessão de autógrafos no estande da Globo Livros
06/set – domingo – 15h – Sessão de autógrafos no estande da Globo Livros
07/set – segunda-feira – 19h – Bate-papo com leitores no Café Literário
10/set – quinta-feira – 13h – Encontro com estudantes e professores das escolas Estaduais – auditório Madureira
12/set – sábado – 15h – Sessão de autógrafos no estande da Globo Livros
13/set – domingo – 15h – Sessão de autógrafos no estande da Globo Livros

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4 de julho de 2015

Eu também sou Maju!

A escravidão no Brasil foi oficialmente abolida em pela Lei Áurea de 13 de maio de 1888, mas os ex-cativos acabaram abandonados a própria sorte. O Brasil nada fez para promovê-los à condição de cidadãos. O preconceito é o legado mais cruel da escravidão. Nós temos um racismo mascarado de democracia racial. Na aparência, somos tolerantes com as nossas diferenças de cor, mas o preconceito irrompe a todo momento, até mesmo nos estádios de futebol, em que jogadores negros são xin…gados e hostilizados pela torcida. É um passivo que o Brasil não conseguiu até hoje corrigir. O preconceito está nas escolas, nos locais de trabalho, nas repartições públicas e na forma violenta com a política trata as pessoas negras ou mulatas. E, infelizmente, está também nas redes sociais, como nas manifestações inaceitáveis de racismo de que foi vítima nos últimos dias a simpática e talentosa jornalista Maria Júlia Coutinho, a ‘Moça do Tempo’ do Jornal Nacional.

Por isso, hoje, EU TAMBÉM SOU MAJU!!!

http://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2015/07/maju-comenta-apoio-preconceituosos-ladram-mas-caravana-passa.html

 

 

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2 de junho de 2015

Uma recomendação de leitura: “Cova 312″, de Daniela Arbex

Nos últimos anos, poucas atividades humanas tiveram a sua morte anunciada de forma tão enfática e frequente quanto o Jornalismo. Novas tecnologias digitais tornariam irrelevantes jornais, revistas, livros-reportagens, programas noticiosos de rádio e televisão, como se fossem relíquias inúteis do passado que a sociedade moderna precisasse descartar o mais rapidamente possível. No ambiente das redes sociais, qualquer pessoa munida de um smartphone passaria a produzir conteúdo, de forma rápida, gratuita, de distribuição global e instantânea. Quem precisaria de repórteres e editores profissionais? Uma segunda profecia tenebrosa sobre o futuro do Jornalismo diz respeito às mudanças nos hábitos dos consumidores. Nesse novo e admirável mundo movido a entretenimento e mensagens audio-visuais, o velho e bom leitor também estaria desaparecendo. Reza o senso comum que as de pessoas hoje, em especial os jovens, não gostam de ler texto grandes. Preferem informação curta, de consumo rápido e sem sofrimento, que não exija tempo nem muita concentração.

Um livro recém-lançado no Brasil desmente esses e vários outros mitos. Trata-se de “Cova 312: a longa jornada de uma repórter para descobrir o destino de um guerrilheiro, derrubar uma farsa e mudar um capítulo da História do Brasil” (Geração Editorial, 342 páginas). Tive o privilégio de escrever o prefácio, cujo texto reproduzo em partes neste post. Sua autora, a escritora e jornalista Daniela Arbex, mostra que a boa reportagem continua viva, atraente e transformadora como sempre foi. Um dos mais respeitados e bem sucedidos talentos da atual geração de repórteres investigativos brasileiros, Daniela comprova também que, embora o formato de distribuição esteja mudando, o Jornalismo de qualidade se mantem como uma ferramenta essencial ao bom funcionamento da sociedade. No longo prazo, o papel e os meios convencionais de distribuição talvez estejam com seus dias contados, mas o efeito de uma reportagem bem apurada e relevante do ponto de vista do interesse coletivo jamais perderá o espaço previlegiado que até hoje ocupou.

Repórter do jornal Tribuna de Minas especializada na área de direitos humanos, Daniela Arbex já recebeu inúmeros prêmios por reportagens de grande impacto. Em 2014, conquistou o troféu do Prêmio Jabuti (segundo lugar) na categoria Livro-Reportagem com Holocausto Brasileiro, uma investigação de casos de maus-tratos em manicômios e instituições responsáveis pelo amparo a pessoas com transtornos mentais.

Desta vez, Daniela se debruça sobre uma história diferente, mas tão ou até mais fascinante que as anteriores. Cova 312 nasceu de uma série também premiada de reportagens publicada pela Tribuna de Minas em 2002. Nela, a jornalista narra a história dos personagens que passaram pela Penitenciária  Regional de Juiz de Fora, também conhecida como Penitenciária de Linhares, uma das mais importantes prisões políticas durante o regime militar brasileira de 64. Entre eles estão nomes hoje famosos, como o atual governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, o ex-prefeito de Belo Horizonte Márcio Lacerda e o ex-deputado federal Gilney Viana. Estão também pessoas relativamente desconhecidas no noticiário brasileiro recente, que preferiram mergulhar no anonimato e se afastar de qualquer atividade política depois de sofrer torturas e humilhações nos cárceres durante aquele período repressivo.

O caso mais importante e fio condutor da narrativa é  o do gaúcho Milton Soares de Castro, combatente da Guerrilha do Caparaó, 26 anos, e cujo destino trágico dá nome ao livro. Coube a Daniela Arbex decifrar durante as investigações para esta série de reportagem um dos mistérios mais bem guardados da ditadura militar: o paradeiro do corpo de Milton, único prisioneiro político encontrado morto nas dependências da Penitenciária de Juiz de Fora, em 1967. Oficialmente, tratou-se de um suicídio. É isso que consta do inquérito policial, da autópsia do corpo e do processo relacionado à morte do guerrilheiro. Como o leitor verá no desfecho desse livro, a história verdadeira é bem diferente. Graças aos esforços investigativos de Danela, acaba de cair por terra mais uma tentativa frustrada de esconder o passado e seus horrores, como queriam as autoridades da época.

O bom exemplo de Daniela indica que os jovens e promissores jornalistas de hoje deveriam estar mais preocupados em fazer boas reportagens do que com o efeito das transformação nas novas tecnologias dentro das redações. O futuro do Jornalismo e o futuro do papel (ou da televisão ou do rádio) são coisas diferentes. Os meios de distribuição estão mudando, e rapidamente, mas a importância do bom conteúdo jornalistico se mantem inalterado. Nosso desafio, portanto, não é a mudança nos formatos, mas a qualidade da reportagem.

A mesma revolução tecnológica que está mudando o comportamento e os hábitos do público consumidor também está afetando a rotina repórteres. A internet facilita o trabalho de apuração das informações, mas pode também gerar um certo empreguiçamento geral nas redações. Muitos jornalistas se tornaram reféns da tela do computador, em vez de ir para a rua, entrevistar pessoas, testemunhar os acontecimentos e tomar contato com a realidade fora dos ambintes corporativos. O resultado é a superficialidade. A informação, em muitos casos, ficou mais leve do que o ar. Perdemos substância.

Vivemos, portanto, um momento decisivo. O futuro do Jornalismo vai depender muito do empenho, do talento e da capacidade de inovar de cada profissional envolvido nesse desafio. Nesse mundo em acelerada transformação, repórteres e editores continuam a exercer prerrogativas essenciais, que nenhuma revolução tecnológica será capaz de lhes tirar.

É preciso saber investigar, bater nas portas e fontes certas, balancear corretamente a informação, exercer o chamado contraditório, que significa confrontar diferentes fontes e versões no esforço de chegar o mais próximo possível da verdade. Boa reportagem exige talento, experiência, tempo, dedicação, sendo de responsabilidade social e compromisso honesto e sincero com as necessidades dos leitores.

Essas e outras importantes lições estão presentes neste novo livro de Daniela Arbex. O tema pode parecer pesado e, como trata de episódio ainda mal resolvido da história recente brasileira, dificil de digerir. Seria assim não fosse a capacidade prodigiosa de Daniela Arbex de transformar histórias tráficas em uma narrativa fluida, atraente, poética e, em alguns momentos, até divertida. Como o leitor verá nas páginas a seguir, graças ao talento de repórteres como Daniela Arbex, o Jornalismo está mais vivo do nunca esteve.

 

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13 de maio de 2015

O preço da Lei Áurea para o Império do Brasil

Nos 127 anos da assinatura da Lei Áurea, um trecho do capítulo ‘A Redentora’, do meu livro ’1889′, que trata do papel desempenhado pela abolição da escravidão na queda da monarquia no Brasil:

“Ao assinar a Lei Áurea, em Treze de Maio de 1888, a Princesa Isabel propiciou um derradeiro e fugaz momento de popularidade da monarquia brasileira, já abalada pelos conflitos da Questão Militar e pelo avanço da propaganda republicana. Em razão disso, recebeu homenagens e celebrações em todo o país, em especial por parte de negros, mulatos e ex-escravos que viam na princesa a protetora que jamais haviam tido em toda a história brasileira. O mulato e abolicionista José do Patrocínio, lhe deu o título de A Redentora, com o qual é reconhecida até hoje entre os brasileiros. A mesma Lei Áurea, no entanto, tirou do trono o seu mais sólido pilar de sustentação: a aristocracia rural e escravagista representada, principalmente, pelos barões do café do Vale do Paraíba.

Para os senhores de escravos, a abolição havia sido um atentado contra o direito de propriedade. Eles consideravam os cativos um bem particular, tão valioso quanto as fazendas, as lavouras de café e cana, os engenhos de açúcar e outros itens de seu patrimônio. Forçados a aceitar o fim da escravidão depois de décadas de resistência, exigiam que o governo concordasse, ao menos, em indenizá-los pelos prejuízos que julgavam sofrer. Os abolicionistas, porém, discordavam desse ponto de vista. Um deles, o engenheiro André Rebouças, sustentava que, após a abolição, quem deveria receber indenização não eram os proprietários, mas os escravos em razão do trabalho forçado e dos abusos a que foram submetidos ao longo da vida.

O governo adotou essa linha por uma questão prática: aos preços vigentes na época da Lei Áurea, os 700 000 escravos ainda existentes no país valeriam cerca de 210 milhões de contos de réis, enquanto que o orçamento geral do império não passava de 165 milhões de contos de réis. Indenizar os senhores de escravos seria, portanto, impossível. Ao ver suas reivindicações ignoradas, a aristocracia rural sentiu-se traída pela monarquia. Como resultado, nos meses seguintes à assinatura da lei, aderiu em massa à causa republicana”.

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